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Tendências de neuroarquitetura para hoteis e restaurantes, com a arquiteta Yasmine Rosa

Hotéis e restaurantes devem oferecer experiências agradáveis aos clientes

A readequação dos ambientes nos setores hoteleiro e de restaurantes é importante para oferecer experiências que unam bem-estar, aconchego e sensações que transformem a estada dos hóspedes e clientes em experiências inesquecíveis. A afirmação da arquiteta Yasmine Rosa está relacionada aos resultados que a neuroarquitetura promove no ser humano por meio de ambientes que apresentem uma decoração adequada, não apenas confortável, mas que sejam também agradáveis de estar e permanecer neles. “De um modo geral tudo está relacionado a experiência”, afirma a profissional, proprietária da A1 Arquitetura que atua na elaboração de projetos para o setor de hotelaria e restaurantes.

Para Yasmine há um movimento pós-luxo que está relacionado ao crescimento deste mercado no Brasil. Só no ano passado o setor cresceu 7,8% e se mantém em processo ascendente. Para se ter uma ideia, o mercado de luxo no Brasil, movimentou R$ 26 bilhões em 2018 de acordo com estudo da Consultoria Euromonitor International. O levantamento prevê mais notícias boas para o setor já que até 2023 este valor deverá chegar a R$ 29 bilhões. Ou seja, as boas perspectivas apontam para consumidores cada vez mais exigentes e dispostos a gastar o que for necessário para obterem sensações e experiências que completem seus estilos de vida.

“O resultado é que temos consumidores cada vez mais conscientes de que comprar por comprar já não faz mais sentido, mas que é imprescindível viver experiências, ter memórias dos lugares visitados e dar um significado para as aquisições ou lugares que visitam”, diz a arquiteta. Na prática, a especialista explica que as pessoas não querem apenas contar com qualidade, mas serem compensadas seja pelas sensações físicas e mentais através de experiências que produtos ou serviços podem lhes causar.

Existe uma crescente procura por lugares exclusivos, principalmente no setor de hospedagens. “Não é apenas ser um lugar exclusivo, caro, mas tem de seu um local que garanta uma experiência diferente”, afirma Yasmine. Neste aspecto, pesquisas apontam que o turismo de experiência também tem crescido no Brasil em torno de 16%, segundo o Ministério do Turismo. “Trata-se daquele hotel que vai traduzir um pouco da história daquele local em que está inserido, que foge do padrão da hotelaria tradicional”, destaca. São aqueles hotéis que tem quartos mais intimistas, mais acolhedores, que levem um pouco da arquitetura regional, como algumas peças de artesanato ou o restaurante que oferece pratos regionais.

Segundo o Ministério do Turismo esses serviços estão elencados no rol de uma lista que aponta o que o Turismo de Experiência oferece aos turistas. São empreendimentos que investem em qualidade e podem aplicar valor de 10% a 50% maior do que os hotéis considerados comuns, por mais que sejam luxuosos. “Não é apenas o luxo, mas a oferta de componentes que passam pela aquisição de valores intangíveis, tanto quanto uma refeição da melhor qualidade”, salienta a especialista. Investir na qualidade desses serviços permite ampliar o faturamento do hotel e acaba sendo uma boa estratégia.

Junto a essa estratégia também tem a questão do hóspede se sentir mais em casa. Os quartos devem ser mais aconchegantes, ter bastante tecnologia, mas que passem por uma certa desconstrução deles “Os quartos não podem ser aqueles locais frios de hotel, mas serem mais familiares e mais aconchegantes”, ressalta a arquiteta. São tendências que indicam a necessidade dos empresários mudarem a visão que tem dos negócios de hospedagem, afinal, a estada deve ser como uma experiência que não se repetirá na próxima estada, no hotel seguinte.

Por essa razão, Yasmine acredita que a tendência é a inserção gradativa da neuroarquitetura nos ambientes de hotelaria para criar ambientes conectados ao exterior, trazendo a natureza para dentro dos hotéis, através dos lobbies, dos restaurantes, das áreas de convívio. “Desta forma, o hóspede terá vontade de ficar nessas áreas sociais, pois vai criar essa conexão que lhe traz bem-estar”, observa Yasmine. Além disso, os profissionais da neuroarquietura tendem a criar espaços que valorizem o olhar, especialmente quando o hotel já possui áreas que permitam visualizar e explorar mais a natureza, o mar ou a montanha.

Os lobbies desconstruídos deixam de ser apenas uma recepção para se transformarem em espaços como a ‘sala de estar’ onde as pessoas possam se encontrar, se reunir, conversar, e conhecer-se. Junte a esses espaços uma decoração mais humanizada, que permita as pessoas se conectar ao ambiente e seu entorno. Em tempos de interconexões, os empreendimentos hoteleiros devem favorecer a experiência através da tecnologia, permitindo que suas equipes de atendimento conheçam um pouco mais o hóspede antes dele se hospedar no hotel.

A tecnologia usada de forma correta permite ao prestador de serviços saber o que o hóspede deseja no café da manhã, o que deseja ter no frigobar de sua suíte ou o tipo de roupa de cama e banho, até mesmo quais perfumes quer ter no seu conjunto de sais de banho. “Surpreendê-lo não é apenas uma forma de cativar o hóspede, mas tornar a experiência dele inesquecível”, diz Yasmine. Desta forma, o hóspede vai traduzir a experiência e levá-la para outros hóspedes para que vivam suas próprias experiências neste hotel. “É antes de tudo uma maneira de criar sensações que jamais serão esquecidas”, completa a arquiteta.

Sobre Yasmine Rosa

Arquiteta comprometida com o lugar e as pessoas para a qual seus serviços se destinam. Empenhada e envolvida em apresentar a arquitetura em suas melhores possibilidades espaciais e humanas, unida aos conceitos de neurociência. Desenvolve projetos de residências, de interiores, comerciais, corporativos e institucionais com a atmosfera para o bem-estar, cuidando de todas as questões técnicas, operacionais, estéticas e humanas inerentes as fases do Projeto de Arquitetura.

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