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Expedição: CCBB-BH e CasaCor Minas apresentam a exposição Caravana Modernista

Expedição que partiu do Palácio das Mangabeiras rumo à cidade de Cataguases, revela importantes fatos históricos e um rico acervo que apresentam o pioneirismo da produção modernista brasileira. Os resultados e materiais coletados poderão ser conferidos durante uma exposição no CCBB-BH entre 13/11 e 16/12

Em 1924, após passarem o carnaval no Rio de Janeiro, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros três amigos optaram por prolongar a viagem e assistir as celebrações da Semana Santa em Minas Gerais. Mas, de um simples percurso pelo interior do país, o passeio histórico ganhou tanta importância que se tornou uma verdadeira expedição pela busca de uma identidade nacional e pela valorização do Barroco e do legado de Aleijadinho.

Inspirada pelo episódio – conhecido como Viagem da Descoberta do Brasil – a equipe da CASACOR Minas empreendeu a Caravana Modernista, uma jornada que permitiu uma viagem no tempo, revisitando aspectos artístico-culturais ligados à produção do período modernista no Brasil. De Belo Horizonte a Cataguases, na mesorregião da Zona da Mata, o roteiro de quatro dias também foi encorajado por outro motivo: Na última edição que marcou os 25 anos da CASACOR Minas, a mostra foi realizada pela primeira vez no Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores do Estado de 1955. Com projeto paisagístico de Burle Marx e sugestões arquitetônicas de Oscar Niemeyer, o edifício mantém nítida a plasticidade das formas, característica que é típica da produção modernista.

“Contextualizar e entender a importância da história onde estamos é parte do processo de implementação da CASACOR Minas no Palácio das Mangabeiras. Abrir as portas pela primeira vez deste local icônico para a cidade é contribuir com o resgate da nossa própria memória” destaca os diretores da CASACOR Minas/Multicult, Eduardo Faleiro e Juliana Grillo.  

Para os modernistas, o Barroco Mineiro foi a primeira expressão autoral e de ruptura com os padrões europeus, exatamente pela distância entre Minas Gerais e o mar. A 70km de Belo Horizonte, seguindo em direção à Cataguases, a primeira parada ocorreu em Congonhas, cidade com um expressivo conjunto de riquezas barrocas e um significativo acervo do mestre Aleijadinho, exposto a céu aberto. A próxima parada foi Barbacena. A cidade abriga, hoje, a Estação Ponto de Partida, sede do grupo de teatro homônimo que ocupa os casarões da antiga Estação Sericícola, a segunda fábrica de seda do Brasil e a mais sofisticada das Américas em sua fase áurea. O espaço é resultado do trabalho dos italianos que migraram para Barbacena em 1888, pós-abolição da escravatura, trazidos pelo desenvolvimento industrial do início do século XX e pela possibilidade de contratação da mão de obra feminina. Desativada, a extinta fábrica de seda deixou um belíssimo conjunto arquitetônico que, desde 1998, foi restaurado e ocupado pelo Grupo Ponto de Partida e pela Bituca Universidade de Música Popular. A recuperação do entorno, por sua vez, foi realizada a partir de uma parceria inédita com o Instituto Inhotim.

De Barbacena, o grupo seguiu para o destino final: Cataguases. Foi no século XX que Cataguases passou a ser uma cidade associada ao desenvolvimento industrial e cultural, fruto do espírito modernista que tinha começado a impregnar as relações e acontecimentos na região. A partir da década de 1940, os aspectos do Modernismo ganharam ainda mais destaque e impacto na cidade, possibilitando um efetivo papel transformador nos âmbitos urbanísticos, cultural e social – assim como na arquitetura.

Uma das grandes responsáveis pela existência de um ambiente favorável às ideias modernistas em Cataguases foi a Revista Verde, publicação formada a partir da iniciativa de intelectuais cataguasenses (Rosário Fusco, Enrique de Resende, Francisco Inácio Peixoto, Guilherme César e Ascânio Lopes), influenciados pelos paradigmas modernistas que ganharam notoriedade nacional depois da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. A Verde e o cinema de Humberto Mauro e Pedro Cornello, após a segunda metade dos anos 20, foram as primeiras expressões modernistas a ocorrer em Cataguases. Seis únicas publicações foram suficientes para inserir a publicação na rota da cultura modernista, integrando a cidade aos grandes eixos urbanos. Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Carlos Drummond integraram a equipe de escritores que contribuíram com o conteúdo da Revista, que debatia sobre as posições, destinos e objetivos propostos pelo modernismo. Tão logo foi criada, a Verde já havia ganhado notoriedade nacional.

Os primeiros edifícios modernistas de Cataguases foram encomendados ao arquiteto Oscar Niemeyer por Francisco Inácio Peixoto, um dos idealizadores da revista Verde. As obras escolhidas foram a construção de sua própria residência e a de uma escola, o Colégio Cataguases. A plasticidade na mistura das formas somadas ao paisagismo e às demais expressões artísticas, como a pintura e a escultura, destoam e destacam o movimento brasileiro das demais manifestações modernistas no mundo.

A cobertura no hall de entrada do colégio Cataguases, por exemplo, demonstra as pesquisas plásticas niemeyerianas com concreto armadoponto característico nos projetos do arquiteto. A construção carrega ainda o painel Abstrato, de Paulo Werneck, o célebre mural Tiradentes, de Portinari, (atualmente no Memorial da América Latina, em São Paulo), o mobiliário assinado por Joaquim Tenreiro, a escultura O Pensador, de Jan Zach e os jardins de Burle Marx.

Foi em Cataguases, ainda, que Joaquim Tenreiro iniciou sua carreira como projetista autoral de mobiliário. Até então, o marceneiro português e funcionário da fábrica de móveis Laubisch-Hirth reproduzia design europeu. A pedido de Francisco Inácio Peixoto, Tenreiro desenhou todo o mobiliário e marcenaria para a casa de Cataguases e logo após abriu loja própria no Rio de janeiro.

O acervo

Viajar no tempo para revisitar aspectos artístico-culturais ligados à produção do período modernista do Brasil. Esse é o objetivo da Caravana Modernista. A ideia nasceu quando o idealizador da proposta traçou uma linha do tempo a partir do momento em que soube que a CASACOR Minas seria realizada no Palácio das Mangabeiras.

“Decidi pesquisar outro cenário que nos remetesse a origem do modernismo”, revela Rafa Alves.

Durante a pesquisa, Rafa Alves encontrou uma antiga casa, mais precisamente do ano de 1941, na cidade de Cataguases, onde todo o projeto arquitetônico era assinado por Niemeyer e o paisagístico por Burle Marx.

“Essa residência era de um antigo industrial e fazendeiro da região chamado Francisco Inácio Peixoto. Ele contratou o famoso arquiteto para construir a residência, já em um conceito pré-modernista, além do renomado paisagista para fazer o jardim do ambiente. Ou seja, Niemeyer e Burle Marx já existiam como dupla desde o início da década de 1940”, revela Rafa Alves.

Ainda de acordo com ele, um fato interessante a ser observado é que a casa no município mineiro antecede ao Palácio das Mangabeiras, que começou a ser construído em 1955. Ao perceber essa diferença de 14 anos, Rafa Alves decidiu construir uma ligação entre as cidades de Belo Horizonte e Cataguases. O resultado dessa linha do tempo foi a Caravana Modernista.

Foram três visitas durante o processo de pesquisa e a caravana com o grupo contabilizou quatro dias de visita a Cataguases, o projeto reuniu uma série de materiais históricos importantes como os primeiros croquis do mestre Joaquim Tenreiro como projetista autoral de mobiliário brasileiro. “Tenreiro foi o responsável pelo mobiliário da casa em Cataguases. Foi lá que ele começou a desenvolver os seus móveis, que hoje são valorizados em todo o mundo”, destaca Rafa Alves,

Registros das obras de Oscar Niemeyer, fotografias da residência com os herdeiros de Francisco Inácio Peixoto, que abriram as portas para a equipe da CASACOR Minas, assim como a primeira câmera utilizada pelo cineasta Humberto Mauro para filmar um filme no Brasil, que também aconteceu na cidade de Cataguases, estão nos registros da Caravana Modernista.

A exposição ainda apresenta uma série de trabalhos que contribuem para entendermos melhor o período modernista no Brasil, e suas contribuições em Minas Gerais.

FICHA TÉCNICA EXPOSIÇÃO CARAVANA MODERNISTA

Realização

Centro Cultural Banco do Brasil/Multi Cult Promoções/CASACOR Minas Gerais
Diretores: Eduardo Faleiro e Juliana Grillo

Acervo, conteúdo e direção: Rafa Alves

Texto Curatorial: Claudia Dodd

Projeto Expográfico: Alexandre Rousset

Design: Hardy Design

Fotos coleção: Ruy Teixeira

Fotos expografia: Gustavo Ballesteros

Video: Paulo Raic

Pesquisa: Alexandre Rousset, Claudia Dodd, Cynthia Massote, Liliane Rebehy, Lúcio Lourenzo e Rafa Alves

Assessoria de Comunicação: A Dupla Informação

Produção executiva: Thiago Mello

Impressão: Conceito Digital

Iluminação: Templuz

Cenotécnica: Garra Design

Revisão de textos: Marcelo Belico

Sobre a Multicult

A Multicult é uma empresa promotora de eventos diversos, entre eles a CASACOR Minas, que, em 2019, completa 25 edições ininterruptas. A proposta da empresa é promover e empreender projetos e iniciativas nas áreas de Cultura, Arquitetura, Design, Gastronomia e Urbanismo. O portfólio de ações desenvolvidas com a assinatura da Multicult reúne eventos diversos que se destacam por promover não apenas entretenimento, mas também uma plataforma de inspiração, informação e networking. Outro foco de atuação da empresa é a promoção de iniciativas que contribuam para a preservação da memória e da identidade urbana e patrimônio histórico.

Redes

SITE: www.multicult.cc

FACEBOOK:  https://www.facebook.com/multicultpromocoes/

INSTAGRAM: @multicult.cc

Serviço:

Exposição “Caravana Modernista”

De 13 de novembro a 16 de dezembro

Dias e Horários de visitação: de quarta à segunda, das 10h às 22h

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)

Informações: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/belo-horizonte

Entrada Gratuita

 

 

 

Por A Dupla Informação

Imagem: Ruy Teixeira

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