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Como os traços da arquitetura americana influenciam o que é tendência do arqdecor brasileiro

Ambientes integrados, tipo de acabamentos e estilo dos ambientes realizados nos Estados Unidos vêm ganhando suas características próprias nos projetos residenciais brasileiros;

Arquiteto Bruno Moraes analisa e explica as particularidades que envolvem a construção e decoração que compõem o estilo de cada país

Da esquerda para direita: Fachada de casa norte-americana (1) e planta integrada dos ambientes (2) |

Crédito de Binyamin Mellish (1) e Max Vakhtbovych (2) – Pexels

Quem costuma viajar para os Estados Unidos, ou que acompanha muitas séries, filmes ou programas de reforma norte-americanos como o Irmãos à Obra, no canal por assinatura Discovery Home & Health, com certeza se deparou com várias diferenças entre os estilos construtivos, bem como de arquitetura de interiores entre os projetos concebidos no Brasil e nos Estados Unidos. Junto com a parte cultural, tais variações são resultado de diferentes métodos de trabalho, estilos de vida e condições climáticas. Entretanto, alguns traços marcantes nas residências por lá vem ganhando a preferência dos brasileiros.

Para entender todas essas razões, o arquiteto Bruno Moraes, do escritório Bruno Moraes Arquitetura, apresenta algumas explicações e curiosidades sobre o assunto. “É inegável que, em cada país, os moradores têm jeitos distintos de viver e de ver o mundo. Isso, com toda a certeza influencia na forma como vivem em seus lares, como os cômodos são inseridos na planta, e como realizam suas atividades diárias”, diz o profissional.

Casa brasileira, localizada no interior de São Paulo, em que há espaços mais amplos para jardins e quintais, diferente das grandes cidades, que apresentam grande parte de apartamentos | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Guilherme Pucci

Método construtivo

Na hora de construir, é muito comum ver, nos Estados Unidos, o uso do sistema Steel Frame, que apresenta estruturas feitas a partir de perfis metálicos. Lá, inclusive, a madeira também é muito utilizada dentro de um processo semelhante batizado como Wood Frame. “Essa metodologia é bastante indicada para locais que possam sofrer movimentações leves, em razão das questões climáticas. Sem contar que possibilita a passagem de tubulações, como a estrutura de calefação, materiais como lã de rocha e de vidro. Não podemos esquecer que, por lá, o frio é duradouro e rígido”, esclarece Bruno.

Enquanto isso, no Brasil se observa a tradicional alvenaria, (com o uso de blocos, tijolos e argamassa) na construção civil. No entanto, a técnica do Stell Frame começou a ganhar mercado nos últimos anos, principalmente pela sua resistência e agilidade na montagem, o que reduz muito o prazo de finalização da obra.

Acabamentos

Por serem mais objetivos, os estadunidenses não se preocupam tanto com acabamentos tão refinados ou processos que deem muito trabalho. “Ao invés da composição entre massa, lixamento e pintura das paredes, como geralmente executamos no Brasil, eles são mais práticos e aplicam direto uma textura para disfarçar as imperfeições. Isso vale também para os tetos, onde refletem o ‘popcorn ceiling’, o teto de pipoca, ao pé da letra, que se trata de uma superfície repleta de texturas pontilhadas”, conta o arquiteto.

O uso de texturas é comum nas casas americanas | Crédito de Sara Garnica – Pexels

Revestimentos

No geral, os revestimentos são mais simples e objetivos por lá, não sendo tão valorizados e com tantas opções como aqueles empregados nos projetos brasileiros. Geralmente, os norte-americanos entregam as casas com revestimentos cerâmicos no formato 40x40cm, na área da cozinha, e é comum ter carpetes ou pisos cerâmicos em todos os cômodos, ou até mesmo o linóleo, material composto por um vinílico em manta. “Por incrível que pareça, porcelanatos, grandes formatos de revestimentos, mármores e granitos são itens de luxo no EUA”, revela Bruno.

Porém, quando o assunto é papel de parede, eles costumam se empolgar um pouco mais. “Até mesmo as cozinhas costumam ter papéis de paredes coloridos e repletos de desenhos, com uma decoração mais carregada”, afirma.

Papéis de parede também são queridinhos em ambos os países | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Luis Gomes

Designers e Arquitetos

Outro item bem interessante é que os designers de interiores e os arquitetos são profissões bem distintas por lá – diferentemente do Brasil, que em muitos casos elas acabam se misturando e complementando. Nos EUA, o designer, literalmente, faz só a parte de interiores – escolhe tecidos para os sofás, cortinas, faz os mood boards com as composições, etc. Já os arquitetos, apenas criam as plantas construtivas e tudo é realizado dentro dos códigos de edificação de cada lugar. Uma curiosidade: algumas empresas de móveis só atendem designers, e não a clientes finais. Exatamente por isso, eles são muito abertos a customizações.

Diferenças, cômodo a cômodo

Chegando em casa

No Brasil, após a pandemia, aumentou o número de casas com sapateiras e armários logo na entrada de casa, hábito que já era comum lá fora | Projeto Bruno Moraes Arquitetura e fotos de Luis Gomes

Um costume diferente pode ser visto logo ao chegar em casa. Logo na entrada de aptos e casas, os estadunidenses têm um ‘ambiente’ dedicado para receber casacos, sapatos, bolsas etc. Por isso, quase todas as residências são planejadas com um armário ou cabideiro logo na porta ou no hall de entrada. “Esse hábito, aos poucos, começa a se popularizar no Brasil, especialmente após a pandemia, com o aumento dos cuidados de limpeza. Há novos projetos em que os clientes já nos pediram sapateiras e armários nessas áreas da residência”, comenta o profissional.

Quintais

Casas com quintais e bastante verde também são muito importantes nos EUA e, no período de pandemia, o Brasil registrou um aumento de procura e o êxodo para moradias com áreas verdes, principalmente fora das grandes capitais | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Luis Gomes

Como é bem comum ver na TV, nos EUA, os quintais geralmente são maiores, mais arborizados e, muitas vezes sem grades ou grande muros, a depender da região do país. Para os americanos, se trata de uma área muito importante da casa. Inclusive, nos programas de reforma e decoração, seu tamanho se torna um dos tópicos decisivos para a escolha de uma residência.

Cozinha Americana

Cozinha americana integrada com a sala de estar | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Luis Gomes

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VEJA: Banco na decoração – Saiba como aproveitar a versatilidade do elemento na composição dos ambientes

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Um item que foi bastante incorporado para a cultura brasileira foi a cozinha americana: até o nome já diz! Se trata de uma cozinha aberta, integrada com a sala, que é muito utilizada hoje entre os brasileiros. Um ótimo exemplo de como funciona a concepção do projeto nos Estados Unidos.

Cozinha provençal | Crédito de Mark McCammon – Pexels

Estilo Provençal

O estilo que virou febre no Brasil nos últimos tempos, sempre foi muito utilizado na decoração e no mobiliário norte-americanos. Por lá, quase todas as cozinhas são provençais, com as portas dos móveis trabalhadas com bastante volumetria, desenhos e as famosas almofadas nas portas dos gabinetes. Tanto é que hoje, por conta da procura por parte dos brasileiros, quase todas as marcenarias modulares e planejadas têm uma linha provençal para oferecer aos seus clientes.

Por fim, outro estilo que está ganhando força aqui no Brasil é o ‘rústico moderno’, com casas mais claras combinadas com madeiras escuras, no estilo Farm Houses.

Estilo rústico moderno, que começa a ser muito utilizado também nas casas do interior do Brasil | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Guilherme Pucci

Integração de ambientes

Geralmente, no Brasil, há a separação entre as áreas íntima, social e de serviço. Porém, as plantas nos EUA têm uma concepção mais integrada. Por exemplo, além da cozinha aberta para sala, é comum também ter o quarto junto à área social – onde a suíte master tem acesso direto pela sala. Já os demais quartos costumam ficar no andar superior, ao invés de serem separados em apenas uma área íntima.

Com influência norte-americana, cada vez mais os projetos brasileiros têm investido no conceito aberto, para a economia de espaço e integração de ambientes | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Luis Gomes

Lavabos x Banheiros

Nessa mesma linha de raciocínio, normalmente o brasileiro não gosta que as visitas frequentem as áreas íntimas. Por isso, o lavabo representa um papel importante, por conta dessa setorização, para que pessoas de fora se mantenham na área social. Mas, em algumas residências nos EUA, é comum observar a ausência do lavabo. Uma característica curiosa nos projetos norte-americanos é o banheiro com duas portas, em que o mesmo cômodo é acessado por dois quartos diferentes. Uma espécie de suíte compartilhada.

No Brasil, o lavabo contribui para que as visitas permaneçam na área social, sem adentrar as áreas íntimas | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e foto de Luis Gomes

Móveis & Decoração

Com relação ao mobiliário, o brasileiro prefere móveis mais modernos e com cores mais neutras. Já nos EUA, as peças têm mais detalhes e, possivelmente, cores mais fortes.

Hábitos e Costumes

Climatização

Sistemas de ar-condicionado e de calefação são muito comuns nas casas nos Estados Unidos, seja pelo calor ou frio extremos que muitas regiões enfrentam. Dessa forma, as pessoas não deixam as janelas abertas com tanta frequência para ventilar, resultando em uma menor entrada de pó para dentro das casas.

Dormitório para funcionários

Atualmente no Brasil, mesmo com um número maior de diaristas, residências, normalmente de alto padrão, seguem mantendo quartos para funcionários que dormem no trabalho. Esse fato que não ocorre nos EUA, pois eles não possuem essa cultura de empregar pessoas para a limpeza e suporte do lar. Portanto, os costumes de cada país influenciam também no layout da casa.

Os americanos costumam ser bem mais práticos com relação aos hábitos de faxina e, em função disso, empregam todos os tipos de produtos limpeza descartáveis para facilitar.

Curiosidade: Nos EUA não é comum o hábito de lavar chão com baldes de água: no máximo, utilizam o mop para essa tarefa. O fato de as casas ficarem mais fechadas por causa da climatização, o uso recorrente de carpetes, além da menor quantidade de ralos nas residências, explica os motivos dessa diferença.

Área de serviço no Brasil: com varal, tanque e próxima da cozinha | Projeto de Bruno Moraes Arquitetura e fotos de Luis Gomes

Máquinas de Lavar Louças e Roupas

Esses são eletrodomésticos super importantes no dia a dia dos norte-americanos! Normalmente, eles não gostam de lavar louças e roupas na mão. Exatamente por isso, quase todas as casas já contam com a máquina lava louças embutida. Com relação à área de serviço, tanque e varal são bem menos encontrados, pois eles já compram as máquinas que lavam e secam.

Falando ainda na lavanderia, a localização desse cômodo é totalmente diferente para os dois povos! Aqui, geralmente está localizada próximo da cozinha ou nos fundos da casa, enquanto por lá é normalmente vista próxima aos quartos, pois é mais prático promover a logística com as roupas. Além disso, a questão cultural também é predominante, tendo em vista que, para eles, não seria higiênico deixar um ambiente com roupas sujas próximo da cozinha.

Além disso, os americanos acessam com frequência o serviço de lavanderias, por meio de franquias especializadas, em que o próprio usuário lava a sua roupa nas máquinas disponíveis – atividade que está chegando agora ao Brasil.

Sobre Bruno Moraes Arquitetura

Criado há 13 anos, o escritório é comandado por Bruno Moraes, arquiteto formado pela Faculdade Belas Artes de São Paulo (FEBASP) e pós-graduado em Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil pela FAU Mackenzie. Bruno passou por grandes escritórios, como o do arquiteto Siegbert Zanettini, onde participou do projeto de ampliação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, considerado o maior projeto sustentável da América Latina.

O escritório atua nas áreas de gerenciamento e execução de obras, além de se dedicar à concepção de projetos de casas, reforma de apartamentos, retrofits, espaços corporativos e áreas comuns de edifícios. Dispõe de equipe própria de obra, cuidadosamente treinada para gerir os trabalhos com processos próprios desenvolvidos pelo escritório que usa, entre outros diferenciais, um aplicativo personalizado. A marca Bruno Moraes Arquitetura tem trabalhos publicados nas mais importantes publicações de decoração e arquitetura do Brasil. Em 2019 e 2020 participou do quadro de decoração do Programa da Eliana, no SBT, e em 2021 assina novamente a reforma do ambiente.

 

 

Por Karina Monteiro

 

 

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